COM PÉ E CABEÇA – ANO IV – Nº165

 (07.12.2009) COM PÉ E CABEÇA – ANO IV – Nº165

”Ao contrário de Cazuza, meus heróis não vivem nem morrem de overdose. Primeiro, por que não tenho heróis; depois, por que não aceitaria jamais cultuar heróis-bandidos.” (Benê Lima)

“Falar em sorte ou azar só é aceitável, quando a inaceitável falta de argumentos racionais assume o lugar da lógica, do trabalho e da competência (Benê Lima)

Opinião - I
AS DISPUTAS DENTRO DO FUTEBOL, FORA DAS QUATRO LINHAS

Brasileirões das Séries A e B, mostraram que a longevidade destas competições permite alterações profundas na gestão e no desempenho das equipes, dada a dinamicidade do futebol desses novos tempos, tanto em seus aspectos intra como extra campo 

Uma vista d’olhos nas performances de Flamengo, Fluminense, Avaí, São Paulo e Palmeiras na A, e na de Vasco, Guarani, Atlético Goianiense, Ceará, Brasiliense e Fortaleza na B, para ficarmos tão-somente numa pequena amostragem, dá-nos a dimensão dos opostos entre os exemplos, ficando clara as possibilidades que tanto a reatividade quanto a proatividade podem produzir.

De outra parte, alguns dos times citados se prestam como verdadeiros contra-modelos, como são os casos, principalmente, de Fortaleza e Brasiliense. Evidentemente que a saga do Tricolor do Pici superou em incompetência, à do Brasiliense. 

Em sentido inverso, as trilhas construídas por Flamengo e Ceará, dentro de suas respectivas competições, são exemplos marcantes de ações reativas competentes, em que se fizeram notar capacidade de reação, reavaliação de metas e objetivos, reorientação do planejamento, e de reconstrução da realidade. 

Tudo isso é possível exatamente pelo aspecto exponencial humano que envolve o gerenciamento e a gestão dos clubes, sobretudo de seus departamentos de futebol. Tendo como pano de fundo o aspecto longevo das referidas competições, é perfeitamente factível a consecução de mudança da realidade, alterando-se uma situação de pouca ou nenhuma produtividade, para outra de maior e melhor produção.

Neste ponto, vale lembrar que a principal ferramenta para processar as mudanças, é a presença do capital intelectual (CI). A fase seguinte é a da operacionalização das idéias do CI, transformando essas idéias em ações concretas. O próximo passo é a avaliação dos resultados, com o propósito, ou de manutenção das ações e políticas, ou de alterações no que se fizer necessário. 

Opinião – II
DEBATES INÓCUOS

No meio da crônica esportiva não-literária, mas também não tão jornalística, assistimos a verdadeiras discussões bizantinas, que nada acrescentam ao futebol

Promover o debate pelo debate, sem a clareza de seus objetivos, sem a devida e competente interlocução, e sem critérios para a escolha dos debatedores, representa, quando muito, dar eco a um tartamudear inócuo e improdutivo, que pode ser traduzido em perda de tempo.

Qualquer programa que tenha por objetivo promover o debate na área esportiva deve ter princípio, meio e fim; deve ter pé e principalmente cabeça; deve ter roteiro, enunciação, desenvolvimento e, se não conclusão, ao menos proposições que sirvam de encaminhamento a um desfecho. Enfim, produção e pós-produção – de preferência.

Em especial no rádio esportivo fortalezense, prosperam programas de baixíssima produção, em que um falso debate faz-se anunciar, numa flagrante atitude de desrespeito para com os ouvintes. Além dos falsos debates, alguns desses arremedos de programas ainda promovem falsas pesquisas, em condições em que os ouvintes são colocados na situação desconfortável de terem que falsear a verdade, para agradar a seus apresentadores.

Outros há que se colocam como programas de debate, mas promovem candidatos a puxa-sacos, que não emitem opinião e se limitam a reproduzir e a endossar os comentários de quem os produz e apresenta.

Entre os aspectos negativos ao aprendizado e à democracia, sobressai-se a profunda frustração do ouvinte, que quanto mais exigente e qualificado, mais se frustra e se decepciona com a falta de conteúdo desses programas.

Até mesmo veículos de comunicação do porte de um Sistema Verdes Mares, estão embarcando no desperdício de alguns de seus espaços na área esportiva, por falta de melhor produção e de bons debatedores. A propósito, o Domingo Esportivo dos colegas Jurani Parente e Gualber Calado, por falta de debatedores-substitutos, tem alternado seu desempenho, na exata medida de seus participantes.

Outro fator que empobrece o debate em nosso futebol são as idéias preconcebidas e a difusão de conceitos ultrapassados, prática comum a quem não se especializa nem busca novos conhecimentos. 

Mais um fator restritivo à qualificação do debate, é a descontextualização e a falta de foco de algumas discussões, situação que acaba provocando certo desinteresse do ouvinte/assistente.

Opinião – III
RADIALISTAS: O DESAFINO DE UMA CATEGORIA
(Sobre a Audiência Pública na Câmara Municipal de Fortaleza)

Assistimos um tanto atônitos, a três tipos de discurso: um deselegante; outro, eleiçoeiro; o terceiro, preconceituoso

Não posso concordar que, na condição de convidados, cheguemos à casa de alguém, mesmo que seja ela a ‘casa do povo’, uma casa parlamentar, e maltratemos quem nos convidou, lançando sobre a anfitriã, aprioristicamente, suspeição quanto ao atendimento de nossas reivindicações. Tal configura, no mínimo, uma descortesia.

Um discurso fora do contexto também pode ser causador de embaraço. Afinal, imagino que tenhamos sido convidados para revestirmo-nos melhor, e não para nos despirmos. Creio que as questões intestinas de nossa categoria deveriam merecer, antes, tratamento privativo.

Outra situação desgastante é assistirmos, como se com isso concordássemos, a um discurso preconceituoso, em que o turista é insultado pela alcunha de burguês, e como se não bastasse, a ele, em tese inocente, é-lhe imputada a presunção da culpa, por um crime que não cometeu, nem por certo cometerá, já que o turismo da Copa do Mundo não é tido como “turismo sexual”. E, no caso em questão, a boçalidade foi perpetrada na presença da representante da Secretária de Turismo do Município, que se não demonstrou arrependimento pela oferta de sua secretaria a nós radialistas, foi por pura generosidade.

Qual a razão para tamanha agressividade, com quem teve para conosco uma atitude, no mínimo, cooperativa?

BREVES E SEMIBREVES ®

Sugestão
A Apcdec, juntamente com o Sindicato dos Radialistas, bem que poderia pensar em um exame prático para determinadas funções no rádio: que narre o narrador; que comente o comentarista; que ‘reporte’ o repórter. E que não ‘assassinem’ o idioma. Quem não tem respeito pelo idioma não merece fazer comunicação social.

Mergulho necessário
O forte de Renan Vieira, presidente em exercício do Fortaleza, definitivamente não é a retórica. Por isso, recomendamos que, tanto quanto possível, fique longe dos microfones, assim evitando mais desgaste.

Assessor, não
O Fortaleza precisa de um comunicador, com atributos de coordenador de comunicação. Alguém precisa organizar a comunicação no Pici, e pra isso o profissional precisa ter status de diretor ou ter o amparo de um diretor forte.

Desarrumação
A casa no Tricolor anda tão desarrumada e sem comando, que até reunião do conselho deliberativo do clube é transmitida ao vivo, via rádio. A exposição do clube nos moldes em que foi levada a efeito, cabe a seus dirigentes proibi-la. 

Recado a Renan
Você tem todo o direito de proclamar que entende de futebol; porém, só não tente provar, pois lhe falta verbo (não sei se conhecimento) para tal empreitada. Outra coisa. Não culpe o treinador Roberto Fernandes pela queda do time, pois com o material humano que a ele foi dado, só um milagre resolveria o problema.

Desejo aprender
Por que razão, alguns colegas da crônica esportiva criticam a FCF por termos 12 times no Campeonato Cearense de 2010? Sinceramente, como dizia Ruy Barbosa, ‘não alcanço o ponto de vista de Sirius’, mas até onde predomina a humana razão, não enxergo nada de mal em termos 12, 14 ou mais times disputando o Cearense. 

Benê Lima
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